Sobre Nossas Autoras – Roswitha Massambani
Aos 60 anos, descobri que meu futuro ganha novas cores.
Minha história no Pense Laranja começou muito antes de conhecer esse movimento. Comecei a servir no ministério infantil aos 14 anos e, juntamente com meu marido, liderei o ministério com adolescentes na igreja por mais de 20 anos.
Também atuei como missionária da Mocidade Para Cristo no Brasil, trabalhando intensamente com adolescentes e jovens.
Minha fundamentação prática e teológica é respaldada por uma sólida formação acadêmica: sou graduada em Teologia e Pedagogia, com pós-graduação em Sistêmica Familiar e Liderança. Também sou autora dos livros Caminhada de Restauração, Caminhada de Restauração na Comunidade Terapêutica e Cicatrizes Douradas, além de revisora da Bíblia de Estudo para Pequenos Grupos.
Completar 60 anos é um daqueles marcos que fazem a gente parar e olhar para trás com um nó de gratidão na garganta. Olho para a minha história e vejo a fidelidade de Deus em cada esquina.
Criei meus dois filhos, que hoje são adultos e seguem seus próprios caminhos, e achei que meu papel principal na linha de frente da nova geração já estava meio que cumprido.
Mas eu estava profundamente enganada.
O sopro de um novo começo
A vida tem dessas surpresas bonitas que reconfiguram tudo. Há pouco tempo, ganhei meu primeiro neto.
Segurar aquele pequenino nos braços foi como se Deus estivesse soprando um vento novo em brasas que eu nem sabia que estavam se apagando dentro de mim. Aquela vidinha acendeu um incêndio no meu peito.
Olhando para ele, percebi que os meus 60 anos não eram o momento de desacelerar ou de me aposentar espiritualmente, mas o início de um novo capítulo: o de carimbar o Evangelho no coração das próximas gerações.
A fé na mesa do jantar e na rotina
Essa paixão por transmitir a fé não é de hoje. Ela vem da minha própria formação prática dentro de casa.
Quando meus filhos eram pequenos, eu e meu cônjuge tomamos uma decisão: nossa fé não seria pesada, cheia de regras engessadas ou guardada numa caixinha para usar somente aos domingos.
Nós queríamos viver o Evangelho na rotina diária, bem do jeito que o texto de Deuteronômio 6:6-7 ensina: no caminho, ao deitar e ao levantar.
A gente lia histórias bíblicas na cama, conversava sobre o perdão de Deus quando alguém errava na hora do almoço e agradecia pelo dia logo ao acordar.
A fé fazia parte da nossa rotina de um jeito leve e natural. Meus filhos cresceram vendo que Jesus fazia parte das nossas conversas tanto quanto as contas a pagar ou as compras do mês.
Como o Pense Laranja transforma a parceria entre igreja e família
Foi justamente por carregar essa vivência que meu coração bateu mais forte quando conheci a filosofia do Pense Laranja.
Para mim, o Pense Laranja não é apenas um currículo de escola dominical ou um método de gestão de igreja. É uma filosofia de parceria que faz muito sentido com aquilo que a Bíblia ensina.
A ideia é simples e poderosa:
- A família é o coração (representado pela cor vermelha): possui o maior potencial de influenciar o dia a dia da criança.
- A igreja é a luz (representada pela cor amarela): aponta o caminho e oferece o suporte necessário.
Quando igreja e família caminham juntas, as duas cores se misturam e formam o laranja. Duas forças trabalhando juntas podem gerar um impacto muito maior do que cada uma tentando caminhar sozinha.
Na nossa igreja, adotar essa visão mudou o nosso ambiente. Paramos de tratar o ministério infantil como um “estacionamento de crianças” para os pais assistirem ao culto em paz e passamos a enxergar os pais como protagonistas na formação espiritual de seus filhos, oferecendo ferramentas simples para continuarem em casa as conversas que a igreja começou no domingo. (Veja também nosso artigo sobre como fortalecer o discipulado infantil na igreja).
O milagre na hora do almoço
Os frutos disso são reais e emocionantes.
Recentemente, vivi uma experiência que justificou cada segundo de dedicação dos voluntários ao ministério infantil. (Confira também nossas dicas para capacitação de líderes no ministério infantil).
Uma mãe da nossa igreja, que tem um filho de 6 anos com autismo, veio falar comigo com os olhos cheios de lágrimas. Ela contou que, desde que o ministério infantil começou a caminhar de mãos dadas com sua família, algo mudou na dinâmica da casa.
Dias antes, na hora do almoço, o menino, por iniciativa própria e de forma espontânea, juntou as mãos e orou agradecendo pela refeição.
Para aquela família, aquele momento representou uma conquista muito significativa. A mãe estava maravilhada, e eu também.
Uma ponte entre as gerações
É isso que o Pense Laranja busca colocar em prática: criar um ambiente de amor no qual as crianças, cada uma no seu tempo e com sua identidade, possam perceber que Deus é real e faz parte da vida delas.
Um dos grandes impactos dessa parceria é fortalecer os pais para que reconheçam seu papel na formação espiritual dos filhos e encontrem caminhos para viver a fé também dentro de casa. (Leia mais sobre como aplicar a parceria entre família e igreja na rotina da sua comunidade).
Afinal, a formação de uma criança não acontece apenas no domingo.
Ela acontece na mesa do jantar, no caminho para a escola, antes de dormir, nas conversas do cotidiano, nos momentos de conflito, nas perguntas inesperadas e nas pequenas decisões de cada dia.
Aos 60, um novo capítulo
Chegar aos 60 anos com as gavetas cheias de lembranças é bom. Mas chegar a essa idade com o coração transbordando de futuro é um privilégio que me comove.
Meus filhos cresceram e estão guardados no Senhor. Agora, meu neto e as crianças da minha comunidade são parte do meu campo missionário.
Meu propósito hoje é ser essa ponte, usando meus dias e minha experiência para que os pais nunca se sintam sozinhos e para que os pequenos saibam que são amados por Deus.
Minha história não está no fim. Com o Pense Laranja e a graça do Pai, ela ganhou novas cores.
Roswitha Massambani
Teóloga, Pedagoga e pós graduada em Terapia Familiar Sistêmica
